Definitivamente não. Mas não há nenhuma razão em continuar insistindo nos mesmos métodos dos heróis do passado, exceto aprender o que nós precisamos hoje em dia. Obviamente há grandes realizações, assim como houve grandes erros e falhas irremediáveis. Ainda que respeitando o passado e aprendendo com ele, nosso propósito deve lidar com o presente e nos preparar para o futuro. Se vamos honrar a Deus e discernir Sua vontade, temos que estar preparados para mudanças. Temos que passar por uma reforma que vai nos levar a substituir os métodos antiquados, antibíblicos e contraproducentes pelos quais buscamos cumprir a Grande Comissão do nosso Salvador, que é plantar Sua Igreja em cada nação.
A chave para o problema pode ser encontrada na maneira como usamos a palavra MISSÕES. Geralmente denota os objetivos expansionistas das nossas respectivas organizações e denominações, assim como "as cruzadas" de anos atrás. Como nas eras coloniais dos conquistadores militares, tendemos expandir nosso território sem misericórdia até os países estrangeiros. Queremos ter mapas nas paredes e gráficos em nossos murais mostrando os lugares no globo onde temos nossas filiais. A tragédia hoje é que sempre conseguimos nossos objetivos não tendo nenhuma consideração com nossos irmãos que já estão ali. A situação como um todo é completamente diferente da que era realizada há 200 anos atrás.
Quando William Carey foi para a Índia em 1792, não encontrou nenhuma igreja evangélica nativa ali, nem equipes missionárias. Assim, ele não apareceu em cena como uma ameaça competitiva aos irmãos locais. Mas quando eu fui para a Índia em 1948 (no meu caminho para a China) encontrei milhares de igrejas com dezenas de milhares de missionários nativos que saiam para espalhar o Evangelho. Também presentes ali estavam representantes de dezenas de organizações americanas e denominações ansiosas de empregar cidadãos indianos para estabelecer filiais dos seus respectivos impérios. Há alguma admiração da nossa parte que Deus tenha permitido que os hindus nos expulsassem do seu país? O Seu Reino foi classificado como "imperialismo cultural" e "colonialismo institucional".
Um dos nossos grandes erros tem sido, a falha em reconhecer que nosso Deus Soberano é o Cabeça de Toda Sua Igreja. Se Ele estivesse realmente nos guiando, Ele nos levaria a respeitar os membros do Seu Corpo (significando todos os verdadeiros crentes) em cada nação e fortalecer suas mãos, e não competir com eles, causando divisões entre si. Ao invés, nós vamos por todo mundo contratando os obreiros das missões nativas e devastando seus ministérios. Enviamos comparativamente ricos "missionários" para viverem em casas grandes e dirigindo carros caros entre as pessoas mais pobres deste mundo. A presença deles traz descrédito e suspeita nos crentes locais que são geralmente muito pobres.
Se cremos que Deus quer que realizemos algo para Seu Reino nos países pobres, devemos enviar ajuda financeira para nossos irmãos que testemunham do Senhor em suas respectivas localidades. Enviando um estrangeiro rico para viver entre eles tende mal interpretar nosso Salvador. Isto também gera cobiça entre os cristãos locais que podem invejar as posses dos estrangeiros, e aí serem tentados a querer ter o mesmo. E, em muitos casos, nossa presença identifica o Reino de Deus com governos estrangeiros e destrói sua credibilidade aos olhos dos cidadãos locais.