Quantos cristãos americanos se reuniam ao nascer do sol para oração coletiva, ou iam de porta em porta testemunhando de Cristo às almas perdidas, ou constantemente viam Deus curar os enfermos de formas milagrosas, em resposta às orações?
Numerosos chineses eram mais maduros na fé, muito mais profundos no conhecimento bíblico, e mais zelosos no serviço de Cristo do que eu mesmo. Eles tinham um crescimento espiritual muito maior do que a maioria dos estrangeiros que havia ido para lá com uma atitude de superioridade para corrigi-los Nós ignorávamos o fato de que aquelas igrejas estavam em funcionamento na China a mais de 100 anos. Que muitos apóstolos conhecidos, como Dr. John Sung, que havia retornado depois de ter se formado fora do país, para conduzir grandes campanhas evangelísticas entre seu povo. E que professores competentes como Watchman Nee, estavam levando os crentes a uma vida de maturidade espiritual muito além da encontrada no ocidente.
Outro insulto à inteligência chinesa era o trabalho das filiais das denominações estrangeiras que foram estabelecidas ao redor de todo país. Encontrei presbiterianos - U. S. (do sul dos Estados Unidos) e presbiterianos - USA (do norte dos Estados Unidos). Também presbiterianos bíblicos, presbiterianos australianos, presbiterianos canadenses e presbiterianos unidos. Havia luteranos do Sínodo de Missouri e luteranos de outros sínodos. Pelos menos uma dúzia de diferentes tipos de batistas tinha filiais na China, vários tipos de metodistas e uma multidão de missões independentes com filiais levando os nomes dos seus fundadores estrangeiros.
Vocês se perguntariam, por que Deus permitiu que Mao Tsetug e seus companheiros comunistas chegassem com uma grande vassoura e varresse todas as denominações coloniais para fora da China?
Ora, eu não quero dizer que os missionários estrangeiros não ganharam almas, plantaram igrejas e proclamaram o Evangelho na China. Muitos cumpriram um papel importante de semear a boa semente da Palavra de Deus no solo fértil dos corações chineses. Mas, assim como houve um tempo que os missionários estrangeiros foram usados para um propósito útil, houve também um tempo quando foi melhor que eles saíssem.
Depois de 150 anos de atividade missionária, nós avaliamos, a grosso modo, que talvez um milhão de chineses professavam a Cristo, quando eu saí de lá em 1949. Menos da metade deles eram evangélicos nascidos de novo. E, depois que eles passaram por provas ardentes de grande tribulação, possivelmente somente 250.000 sobreviveriam para passar a tocha da fé.
Mas, a tocha já havia sido passada. A nova geração cresceu sem o conhecimento das denominações estrangeiras que haviam sido um estigma para a causa de Cristo na China. Os crentes chineses tinham somente a Palavra de Deus, à medida que ela gradualmente tornava-se disponível de diferentes formas: copiadas a mão, xerocadas, trazidas em mulas da Índia, enviadas por navio por homens de negócios de Hong Kong, carregada nas malas dos turistas (especialmente estudantes estrangeiros da África) e, eventualmente, baixadas pela internet.
Logo depois que os comunistas tomaram o poder, eles reuniram todos os "ministros ordenados" das denominações estrangeiras e os enviaram para o campo de trabalhos forçados. Os templos foram transformados em depósitos, lojas e centros de propaganda comunista. Sem ministros e edifícios, os luteranos, batistas e presbiterianos não podiam mais realizar seus "cultos". Mas, as igrejas nos lares como no Novo Testamento começaram a se reunir e a plantar novas assembléias. E, mesmo tendo sido desprezadas e rejeitadas pelos missionários colonialistas, as igrejas nos lares recebiam, em seus grupos de comunhão, os verdadeiros cristãos das denominações estrangeiras, que agora estavam mortas. No final de 1950 eu ouvi, estando fora da China, que o número das igrejas nos lares havia dobrado, naqueles cinco anos que seguiram a tomada de poder dos comunistas.