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 A Revolução Missionária na China 

O que vem acontecendo na China nestes últimos tempos tem impressionado os missiólogos em seus círculos acadêmicos de costa a costa. Tem demonstrado a necessidade de uma reforma completa dos nossos conceitos e práticas das atividades missionárias estrangeiras.

Eu não cheguei a esta conclusão de um dia para o outro. Foram mais de 10 anos lutando com as tradições recebidas das igrejas evangélicas antes que eu mudasse minha maneira de pensar.

Em 1946 fui um dos preletores de uma grande conferência missionária na Universidade de Toronto. Eu trabalhava com a Missão Inter-Varsity Christian Fellowship, que patrocinava a conferência (conferências similares têm sido realizadas na Universidade de Illinois conhecida como Urbana). No meu seminário fiz um pedido comovente para que voluntários dessem tudo de si a Cristo indo "para o campo missionário".

Eu não conhecia nada melhor que usar o termo "campo missionário" para dizer qualquer lugar fora dos EUA. Até mesmo Inglaterra, Alemanha, ou Coréia (onde as igrejas agressivamente evangelísticas eram mais ativas que em muitas partes dos EUA).

Eu era mais bem sucedido do que a maioria no recrutamento de voluntários, porque era jovem (24 anos) e tinha me comprometido a ir eu mesmo ao "campo missionário".

Menos de dois anos mais tarde eu cheguei à China como missionário colonial extremamente entusiasmado, pronto para "treinar os chineses" para o "serviço cristão". Nunca me ocorreu naquele tempo que eu estivesse parcialmente motivado por um preconceito profundamente arraigado, absorvido nos encontros missionários, como o de Toronto, ou obtido nos livros sobre "missões". Também havia escutado nas escolas cristãs como o Instituto Bíblico Moody e a Universidade Bíblica de Columbia.

O que nós assumíamos era que éramos superiores, e os chineses (ou indianos, ou nigerianos ou brasileiros) cristãos eram inferiores. Assim, tínhamos que ir e "treinar os nacionais" num esforço de trazê-los ao nosso padrão. Crendo, obviamente, que eles nunca iriam realmente alcançar nosso nível de competência. Cinqüenta anos mais tarde, nós ainda ouvíamos falar de enviar nossos missionários superiores para treinar os asiáticos e africanos inferiores.

Sem dizer que tive um choque quando descobri, ao chegar na China, que muitos daqueles cristãos chineses eram, na verdade, superiores aos orgulhosos americanos que trabalhavam entre eles. Eles tinham um entendimento muito mais maduro da igreja local como Corpo de Cristo naquela localidade. Assim como do carisma (graça), que é o poder espiritual que Deus distribui em medida a cada crente (Efésios 4:7, Romanos 12:6), que determina nosso papel e função no corpo local de crentes.

Eu tinha aprendido pessoalmente com alguns dos grandes líderes e mestres evangélicos da minha geração incluindo Billy Graham, H. A. Ironside, Harold Ockenga, Charles E. Fuller, Lewis Sperry Chafer, W. B. Riley, Bob Jones, Robert McQuilken, Louis Talbot, Harry Rimmer, A. W. Tozer, e Wilbur Smith, somente para mencionar alguns. Mas nenhum deles, do que eu pude perceber, tinha um claro entendimento do carisma que Deus dá em medida a todo crente para equipá-lo para ministrar dentro de um corpo local. Todos aceitavam naturalmente nossa tradição cultural de realizar os "cultos" no auditório estilo-teatro ou "sanatuário" tipo medieval.

Eu tive que ir à China e encontrar cristãos que compartilhavam uma vida corporativa dentro do corpo sem "nenhum ministro ordenado" envolvido. De certa forma, cada um contribuía para a vida e o crescimento do corpo de acordo com a medida do carisma que Deus lhe havia dado (como expliquei em Efésios 4, Romanos 12 e I Coríntios 12-14). Os mestres cristãos chineses entendiam estas coisas imediatamente quando liam as epístolas de Paulo, porque não tinham que desaprender as muitas tradições da igreja herdadas da idade média. E muitos cristãos chineses eram mais zelosos na adoração e serviço do que os missionários que foram trabalhar entre eles.

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