Talvez esta tenha sido a razão por que nosso Senhor, em sua infinita misericórdia, revelou a mim que enviar americanos além-mar era um enorme engano. Que nossas atividades nas culturas estrangeiras estavam ferindo mais a causa de Cristo que ajudando. E que as atividades missionárias além-mar das nossas igrejas estavam precisando com urgência de uma reforma.
Meus olhos foram abertos quando fui para a China em 1948. Eu não tinha nenhuma estratégia para o trabalho missionário ali. Tudo que eu sabia era que o Senhor havia dito, "Vá". E eu fui. Juntamente com outros 6.000 que foram complemente cegos "para os campos" com nenhuma idéia que nossa presença iria atrapalhar a causa de Cristo mais do que ajudá-la.
Agora, ante de seguir adiante, quero deixar claro que Deus certamente usou os missionários pioneiros que foram para a China um século antes. Era certamente o tempo para eles irem semear a semente do Evangelho. Eu não quero minimizar a importância do que eles fizeram. Mas, assim como houve o tempo de ir, há também o tempo de retirar-se. E nós falhamos em perceber isto. Creio que talvez esta seja a razão pela qual os comunistas nos forçaram a sair.
No tempo em que cheguei à China, os marxistas/maoístas estavam tomando o país com um fervor religioso. Nenhum russo estava envolvido. Se os russos estivessem ali, o comunismo teria sido conhecido como uma religião de estrangeiros. Os chineses não teriam trabalhado nisto, ou até mesmo morrido por isto. Todos os missionários comunistas eram chineses.
Então, como foi que eles se tornaram comunistas? Nove de cada dez dos maiores líderes que tomaram a China se converteram à ideologia comunista quando estavam fora do seu país, como estudante na Europa ou América. Quando regressaram a China, eram simples camponeses que queriam atrair seguidores. Desta forma, eles tomaram o país e expulsaram todos os missionários cristãos.
Não somente isto, mas também desacreditaram a fé cristã, mostrando que a maioria dos missionários estrangeiros eram fabulosamente ricos comparados com a média dos chineses. "De onde esses estrangeiros ricos tiraram todo este dinheiro?" Perguntavam. Afirmaram que os missionários eram espias enviados pelas CIA, e o povo creu nisto. Como eles poderiam saber a verdade?
Eu sabia que tínhamos que encontrar uma maneira diferente de realizar o trabalho dos missionários estrangeiros, se quiséssemos competir com os comunistas nas mentes dos homens. Nossa presença na China era uma grande força para a causa comunista, pois éramos um perfeito material para sua máquina de propaganda comunista. Eles podiam apelar para o patriotismo dos cidadãos chineses que sentiam que seu país deveria ser protegido do que eles chamavam de "imperialismo cultural" e "colonialismo institucional".
Mas, eu ousaria dizer algo sobre este problema quando retornasse para os Estados Unidos? Depois de tudo, a maioria de nós evangélicos honra nossos missionários estrangeiros. Se eu até mesmo sugerisse haver uma falha na forma que eles trabalhavam poderia trazer à tona a ira de todos aqueles que oravam e os sustentavam.
Por sete anos me mantive calado. Concentrei-me no ministério Estudantes Internacionais Inc. (ISI sigla em Inglês) que fundei em 1953. Trabalhei alcançando estudantes estrangeiros para Cristo e enviando-os a seus países como missionários a seu próprio povo.Entre os acadêmicos estrangeiros estavam muitos líderes cristãos que vieram aos EUA somente para graduar-se. Alguns deles expressaram sua preocupação pelo dano que estava sendo feito a causa de Cristo em seus países com a contínua presença dos missionários estrangeiros. Ainda assim, não disse nada.
Líderes de outras organizações que sabiam o que estava acontecendo também ficaram calados. Em 1955 fui convidado para falar em uma reunião dos obreiros da Comunidade Interuniversitária. Pedindo que não fosse divulgado publicamente, compartilhei algumas das coisas que eu havia observado sobre o problema do colonialismo missionário. Quando terminei, o líder da organização, C. Stacey Woods, confidencialmente me revelou que ele estava chegando às mesmas conclusões. Ele disse que havia ouvido de um físico cristão da Índia que um dos grandes obstáculos para a causa de Cristo era a presença dos missionários estrangeiros. Ele também afirmou que havia escutado de alguns líderes na Europa que eles estavam orando para que Deus os libertasse da presença adversa dos missionários americanos no meio deles. Mas, Stacey não ousava falar estas coisas publicamente.