Quando comecei a me aventurar a sair nas ruas e entrar em suas vidas, descobri um mundo completamente novo. As crianças eram usadas como prostitutas e mendigas. Elas eram ensinadas a roubar e a vender drogas. Como eu pude ser tão cega a esta realidade tão cruel? A menininha cuja face se iluminou de felicidade quando eu lhe dei uma bolsa de doces, anos atrás vinha continuamente a minha mente, e eu sabia o que deveria fazer.
Minha mãe esteve a frente de uma livraria cristã e um centro de aconselhamento para mães analfabetas por vários anos. Juntas começamos a alcançar as mulheres nas ruas.
Crianças sujas e famintas começaram bater em nossa porta. Muitas que chegavam ao nosso centro haviam sido abusadas por pais alcólatras e viciados em drogas. Nós as alimentávamos com arroz e curry (comida típica de alguns países asiáticos), dávamos banho e ensinávamos matemática e a ler e escrever. Depois as despedíamos.
"Amma! Amma!" Uma pequena menina de 8 anos chorava uma manhã ao tropeçar na porta da nossa livraria. As lágrimas corriam pela sua face, mas ela se recusava contar a minha mãe ou a mim porque estava chorando.
Perguntando às outras crianças a razão da sua tristeza, descobrimos a resposta. A criança havia sido violentada na noite anterior.
Nem eu nem minha mãe conseguimos dormir naquela noite. O choro daquela criança ecoava na minha mente. Embora as crianças estivessem seguras no centro durante o dia, muitas delas retornavam para um ambiente inseguro e abusivo à noite.
Uma criança que era espancada diariamente por um pai alcólatra, costumava se esconder nos pântanos ao redor da favela. A mãe de outro menino desnutrido tomou veneno depois de ser repetidamente abusada por seu marido alcólatra.
Numa nação budista em guerra como o Sri Lanka, milhares de crianças são vendidas aos pedófilos ou usadas para pedofilia. Meninas, em particular, vivem em perigo de serem abusadas por membros da família do sexo masculino. A mãe adotiva de uma das meninas nos contou que não podia proteger sua filha do seu esposo, nem dos filhos.