Min observava como as sombras dos guardas se moviam ali perto. Seus olhos fitavam o chão sujo. Ali estava ele, uma vez mais atrás das grades.
Ele arranhava com suas unhas a terra que cobria o seu tesouro de couro. Soprando o pó do livro usado, ele ansiosamente virava suas páginas, devorando as preciosas palavras - seu pão diário.
Era tudo o que ele tinha, por isso, se tornou ainda mais valioso para ele. Min, nativo de Burma, foi preso por pregar o evangelho em seu país. Eles tentaram pará-lo, mas ele não podia parar.
Quando os guardas estavam longe, Min lia sua Bíblia bem baixinho para seus companheiros de cela. Muitas vezes ele olhava seus companheiros e via caminhos de lágrimas em suas faces sujas.
""Diga-me como eu posso ser salvo!" Um homem gritou.
Ele foi o primeiro. Min nunca se esquecerá do momento em que ele se ajoelhou ao lado deste homem em lágrimas e lhe disse como Cristo poderia salvar sua alma. Ante de Min ser solto, levou 72 homens a Cristo. Vários deles eram guardas da prisão, que permitiram Min realizar estudos bíblicos no banheiro .
Min é um dos discípulos fiéis de Ronnie Tun, líder de um ministério birmanês apoiado pela Christian Aid. Num país onde abundam a pobreza, enfermidade, gangues de traficantes de drogas e militares corruptos, famoso por seus abusos contra os direitos humanos; o ministério de Tun anseia por restauração através do poder de Cristo.
"Nossa situação política é desanimadora. Estamos em uma péssima situação econômica", afirma Tun. "Apesar disto, o avivamento espiritual transcende toda esta obscuridade".
O ministério de Tun recebe com braços abertos os carentes e marginalizados. Estes grupos incluem mulheres, que sofreram abusos sexuais nas mãos da junta militar. Muitas jovenzinhas são mantidas cativas como escravas sexuais nas bases militares, e são fisicamente abusadas ou mortas, caso ofendam de alguma maneira os oficiais do exército.
A junta, que governa o país desde 1962, tem consistentemente negado a prática da violência sexual. Raramente se toma alguma providência contra estes estupradores e, em alguns casos, as vítimas são forçadas a assinar declarações perdoando-os.
Com a intenção de submeter os grupos minoritários, a junta abusa sexualmente das mulheres destes grupos, bem como as da tribo Mon.