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 Um Novo Legado das Missões Tradicionais 

A troca de missionários nos países em desenvolvimento

Durante os últimos 30 anos tem havido uma explosão da atividade missionária nas igrejas da América Latina. Este movimento começou com os líderes latinos que começaram a estudar os materiais dos missiologistas americanos e canadenses traduzidos para o Espanhol e Português. Rapidamente a idéia de "enviar missionários" a outros continentes se espalhou na região.

Quechua people
            in the high Andes Mountains
Um ministério nacional no Peru trabalha em áreas não evangelizadas onde vive o povo Quéchua, nas montanhas altas dos Andes. Várias histórias neste número mostram o trabalho dos missionários nativos que, com a ajuda da Christian Aid, estão alcançando efetivamente este povo em diferentes regiões.
No final da década de 1980, conferências missionárias eram realizadas no Brasil e em quase todos os países da América Latina. Isso causou a proliferação de Agências Missionárias que "enviavam". Neste tempo uma expressão missionária se tornou muito popular entre estas agências: "Nós não somos mais um campo missionário - mas sim uma força missionária". Infelizmente, no entanto, esta expressão não significava para as igrejas brasileiras enviar seus missionários aos próprios grupos tribais na selva amazônica - ou os evangélicos venezuelanos cuidar dos seus prórpios grupos. Esta expressão significava que esses países pobres queriam enviar seu próprio exército de missionários além do Atlântico - copiando os métodos tradicionais usados pelas organizações missionárias estabelecidas nos países industrializados. Hoje, quando os países latinos americanos falam sobre o trabalho missionário, estão principalmente falando do envio de missionários para o Oriente Médio, África e Ásia.

Desde então, as igrejas da América Latina têm feito sacrifícios extremos a fim de enviar missionários a outros continentes. E, os latinos americanos gastam seus recursos em iniciativas além-mar, onde ocorre sua maior perda. Grupos étnicos dentro dos seus próprios países têm sido negligenciados. Ironicamente esta é uma das razões porque as igrejas norte americanas ainda continuam enviando missionários para a América Latina. Assim como muitas agências missionárias norte americanas, agências missionárias na América Latina não reconhecem o trabalho dos ministérios nacionais naqueles países.

Vemos que esta tendência não é somente dos países da América Latina. Hoje os nigerianos também querem enviar missionários até os confins da terra. Enquanto isso, seu próprio país tem abrigado uma grande quantidade de grupos étnicos não alcançados , e está sujeito a lei islâmica do sharia. Esta tendência tem sido infiltrada em outros países como Índia e Filipinas. Parece que o movimento tem sido celebrado com frases atraentes tais como enviando missionários "de todo lugar para todas as partes".

Os missionários dos países pobres estão sendo enviados para outros países pobres, onde eles não falam o idioma, nem compreendem a cultura.

O Brasil é um exemplo de um dos maiores países "enviadores" hoje em dia do mundo. Muitos missionários brasileiros que intencionam ficar em outro continente por longo período, retornam num período de dois ou três anos - antes mesmo de aprenderem o idioma! Seus esforços têm sido abortados pela falta de recursos e várias outras razões. Muitas igrejas em países pobres têm simplesmente seguindo a correnteza e não têm "calculado o custo" (Lucas 14:28). Enquanto isso os missionários nativos continuam a lutar sem os instrumentos necessários e o apoio financeiro, limitando assim o seu trabalho.

Como para nós nos países industrializados. precisamos avaliar seriamente os conceitos que estamos exportando para o resto do mundo.
É tempo de pararmos por um momento e olhar com mais cuidado para esta situação. Temos que avaliar os custos financeiros do treinamento, enviando e sustentando apenas um missionário numa terra distante.

O tempo é outra coisa valiosa. Quanto tempo tem sido usado em iniciativas além-mar, enquanto milhões de almas se perdem sem nem mesmo haver ouvido o evangelho? Precisamos comparar estes números com o tempo e dinheiro que gastaríamos apoiando um missionário nacional em sua terra natal. Uma vez pesadas estas diferenças, temos então que comparar ambas estratégias. O principal é: o que é mais eficiente?

Hoje em dia a tradição dita que vamos perpetuar o envio de missionários a lugares onde eles não falam o idioma ou compreendem a cultura, ainda que existam ministérios nativos ali que já estão realizando o trabalho. E temos exportado esta metodologia aos países pobres.

Axel Lanausse
Presidente, CAM
Alegramo-nos e damos graças a Deus por todas as igrejas ao redor do mundo que têm o desejo de expandir o Reino de Deus. Mas, seria tremendamente mais efetivo e frutífero para eles considerarem em oração apoiar os ministérios nativos nas regiões carentes. Os cristãos macedônios não enviaram missionários para a Judéia, ao invés, enviaram uma oferta sacrificial aos “santos carentes” de lá para ajudá-los a testemunharem de Cristo. (Romanos 15:26.

Como para nós nos países industrializados, se uma boa mordomia realmente importa, temos que avaliar seriamente os conceitos que estamos exportando para o resto do mundo.“Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se senta primeiro a calcular as despesas, para ver se tem com que a acabar?” Lucas 14:28

porque nós amamos os irmãos...

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