Seu nome significa "preciosa", mas Ain de 13 anos de idade pode se sentir qualquer outra coisa, menos preciosa. Talvez "descartável" seja uma descrição mais exata. Ela é uma das 10 crianças que moram numa casa de dois cômodos na periferia do Cairo. De noite ela se encolhe perto das suas irmãs no canto de um colchão bem fininho no chão. Ela nunca foi uma criança que chamasse a atenção para si mesma ou incomodasse ninguém com suas necessidades, mas é uma carga, mais uma boca para alimentar.
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Meninas egípcias como estas podem ser forçadas a um casamento precoce e não desejado.
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Não era difícil para ela perceber o desprezo e a decepção dos seus pais por não ser um menino. Seus irmãos irão crescer e sustentar suas famílias, ela nada mais é que uma carga. Quando sua mãe ficava impaciente com ela, trancava a porta e não deixava Ain entrar. Ain chorava sozinha do lado de fora da casa.
Dias depois que Ain fez 13 anos, um homem veio a sua casa. Seu pai o cumprimentou cordialmente e lhe disse que entrasse. Ain ficou chocada quando foi apresentada ao homem. Badru parecia ter a idade do seu pai, mas a maneira que sorriu para ela a fez ficar envergonhada. Será que ele a achou bonita? Como? Ela era magra, boba e apenas uma criança. Ainda não tinha nem mesmo as curvas de uma mulher da idade de Badru. "Ain", Badru disse. "Que nome bonito. Que linda garota".
A visita de Badru foi seguida por muitas outras. Ele a elogiava muito. Na verdade ela até mesmo começou a crer em alguns daqueles elogios. Dentro de algumas semanas, Badru pediu a Ain em casamento e lhe prometeu tirá-la de sua pequena casa abarrotada e de sua família sem amor. Prometeu-lhe uma nova vida. Como ela poderia rejeitar?